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Redação Dissertativa


LEVIANDADE ATÔMICA

Fonte: Zero Hora, Paulo Brossard


O presidente Luiz Inácio foi recebido com simpatia no plano internacional; além das suas qualidades pessoais, terá contribuído o fato de ser um operário que, pelo voto, chegou ao governo de seu país. Quando o presidente vê aproximar-se o termo de seu governo, aumentaram suas preferências acerca do setor externo. As grandes questões internacionais que não o haviam seduzido passaram a dominar sua atenção, a ponto de ser mencionada sua eventual ascensão ao patamar da ONU. O certo é que, chegando de uma viagem, logo começa outra. Mas o problema não está apenas no viajar.

Subitamente, ou por iniciativa sua, ou por instigação de assessores, acasalou-se com um país em tudo diferente do seu e, além do mais, em desarmonia com as linhas tradicionais da política externa do Brasil. E, embora seja perigoso atribuir motivação e objetivos a atos alheios, é induvidoso que a guinada para as bandas persas implicasse, como vem implicando, afastamento cada vez mais acentuado do mundo ocidental e do norte da política externa brasileira.

De um momento para outro, o múltiplo presidente toma o rumo do Oriente a oferecer os seus serviços, jamais solicitados, a israelenses e não israelenses, esquecido de que o alvo de sua nova afeição internacional proclamara nada menos que a destruição do Estado de Israel: ingenuidade ou cegueira? Não demorou esse sonho de grandeza ou esse delírio não viesse a tomar as feições de um desatino, mediante a pretensa harmonização do amado Irã dos aiatolás com os padrões de Agência Internacional de Energia Atômica e da ONU.

Para dar realce à jornada que poderia ser a glória das glórias, fez pretensioso périplo incluindo a Rússia e, em conferência com o presidente russo, não faltaram cenas impróprias, relativas às probabilidades de êxito na empreitada. O resultado, de ontem, correu o mundo, e o conserto engendrado foi apresentado pela publicidade local como bom sucesso completo, quando se aproximava do fiasco. Basta dizer que, se antes do convênio figuravam como obstáculo apenas os Estados Unidos, logo se somavam Rússia, França, Grã-Bretanha, China e Alemanha. O mais desconfortável, no entanto, foi a real natureza do expediente concebido por Irã, Turquia e Brasil, e, enquanto estes assoalhavam que todos os óbices levantados pela AIEA, Agência Internacional de Energia Atômica, haviam sido afastados, o acordo divulgado dizia que o governo de Mahmoud Ahmadinejad se serviria da Turquia para enriquecer o seu urânio, com a fiscalização da agência da ONU, patrocinada pelo presidente do Brasil. Sem demora, o diretor da Agência Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, anunciava que até 20% do enriquecimento do urânio ficaria à discrição do Irã, para fazer o que quisesse, o que significava a leviandade do expediente. Os amigos do presidente brasileiro sabiam o que faziam, pois logo foi dito que se o pacto de que o Brasil participara não evitasse sanções da ONU, o Irã não teria por que manter a 'histórica' convenção com o nosso país.

A meu juízo, o desembaraço que o presidente da República veio a praticar no plano internacional, como se fora um êmulo de Rio Branco, nada tem com a política exterior do Brasil, da qual o Barão foi um dos maiores feitores; a política externa que começa a dar pano para mangas é a 'política do Lula', não é a política externa do Brasil.

O que vai sendo feito nesse sentido, cada dia mais temperado pelo gosto de Castro e Chávez, não casa com a política externa do Brasil; poderá ser a política pessoal do presidente Luiz Inácio. E o fato não é auspicioso.

Fim

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Redação dissertativa 101: Tema: política externa.Tópicos: redação dissertativa pronta, política externa do Brasil, acordo Brasil, Irã e Turquia, Brasil no plano internacional.