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Redação Dissertativa


AQUI NÃO É PARIS

Fonte: O Estado de S. Paulo


Talvez você conheça a sensação. Caminhar pelos bulevares de Paris, fazer uma pausa num café, sentar num banco de praça, ver a vida passar, os senhores elegantes carregando baguetes no sovaco, as moças lindas pedalando bicicletas coloridas. Ou sei lá - caminhar pelas avenidas de Nova York, entre galerias de arte e lojas de design. Pelos becos e pontes de Veneza. Pelas ruas de pedra de Roma. Mas. Caminhar em São Paulo?

Aqui não, óbvio. Aqui não é Paris. Aqui se vive a vida, se paga as contas, se anda com pressa. De carro. Janela fechada. Insulfilm. E, se alguém distrair na nossa frente, buzina nele.

Anteontem, resolvi ser turista em São Paulo. Eu e minha esposa, a Joaninha, pegamos nossas bicicletas e fomos para o centro. Era noite de Virada Cultural. Para quem não é daqui, explico: trata-se de um evento incrível, que já acontece há 6 anos. As ruas do centro são fechadas para os carros, dezenas de palcos são montados e, por 24 horas, da tarde do sábado à tarde do domingo, a cidade é tomada por música e arte e festa.

Joaninha e eu curtimos a festa até dar sono. Aí procuramos um hotel e nos hospedamos. Acordamos de manhã, passeamos um pouquinho a pé, tiramos fotos, vimos shows, comemos em restaurantes tradicionais, sentamos em bancos de praça. E voltamos para casa como quem tivesse passado um fim de semana em. Sei lá. Paris?

Havia 4 milhões de pessoas na festa (segundo os números oficiais, dos quais duvido um pouquinho). Todo mundo a pé. Como acontece todo ano, a Virada me encheu de esperança de que São Paulo tenha jeito.

Mais do que tudo, andar pelas ruas bloqueadas para o trânsito deixa uma coisa clara: é impressionante o mal que os carros fazem à cidade. Com eles, não dá para ser feliz nas ruas: as buzinadas, a fumaceira e a constante possibilidade de ser atropelado não deixam. E aí fico pensando nas melhores cidades do mundo. Nas grandes capitais europeias os carros estão em minoria no meio de gente caminhando. Nos EUA, a cultura do carro é mais forte. Mas, não por acaso, as duas cidades mais agradáveis, Nova York e San Francisco, são justamente as duas que são exceção a essa regra e que mais impõem limites aos motoristas. (Já sei o que vão dizer: que Paris e Nova York têm transporte público decente, enquanto SP praticamente nos força a usar carro. Mas, com os corredores de ônibus e as novas linhas do metrô, isso não é mais tão verdade assim).

Por mim, São Paulo não precisa de mais faixas na Marginal. Precisa é cobrar pedágio de quem entulha a rua com carros. Precisa é radicalizar a opção por transporte público: reduzir à metade as faixas para carros individuais, aumentar o espaço dos ônibus, das bicicletas, dos pedestres.

No final da tarde de domingo subimos a ladeira para a Paulista e de lá morro abaixo para Pinheiros, onde moramos. Foi um choque reencontrar os motoristas espaçosos, indignados com as bicicletas que ocupam uma faixa inteira da avenida. Fiquei pensando. Quantos deles adoram passar as férias em Paris? Por que é que a gente admite viver bem nas férias, mas não se permite nem sonhar com uma vida decente aqui na nossa cidade?

Fim

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Redação dissertativa 119: Tema: turismo.Tópicos: redação dissertativa pronta, bulevares de Paris, turista em São Paulo, bancos de praça, São Paulo, melhores cidades do mundo, grandes capitais, gente caminhando, cidades mais agradáveis.