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Redação Dissertativa


O ESTADO ENTRANDO EM NOSSAS CASAS

Fonte: Zero Hora, Fausto Araújo Santos Júnior


O presidente Lula assinou na última semana um projeto de lei, de autoria do Poder Executivo do Brasil, que propõe punir familiares ou profissionais que utilizam as chamadas 'palmadinhas' para educar os filhos. Trata-se de mais uma inserção do Estado nos lares dos brasileiros, indiscriminadamente, e trata-se de mais uma forma de fazer política com discursos bonitos, mas que na verdade somente cria mais demandas por estruturas do Estado, e cria mais uma lei que é praticamente impossível de ser fiscalizada, como outras inúmeras em vigor. E abre, como todas as burocracias, espaço para que espertinhos e espertinhas consigam processar pessoas de bem utilizando uma lei para, afinal, conseguir dinheiro com os processos, como já acontece atualmente com muitas outras leis brasileiras. Enfim, trata-se do aparelhamento do Estado para se tornar cada vez mais necessário, mas necessário por trabalhos de pouca eficiência.

O que mais fica evidente nas correntes que defendem esta nova lei é a ânsia nos seus ideais de buscar a cada dia entrar na vida das pessoas. A corrente entende que campanhas de esclarecimento social não funcionam nestes casos. Acham que as quatro paredes do lar devem também ter um olho do Estado, como um 'Big Brother'. E esta mesma corrente, incrivelmente, não sugere a punição dos pais em situações em que fica extremamente evidente o desleixo dos mesmos. Por exemplo, quando menores são pegos na rua roubando, bebendo, se drogando e fazendo arruaças entre gangues, o Estado, através das leis, sequer sugere a punição dos pais pelas atrocidades cometidas por seus filhos na rua. Parece que os pais não têm o dever de zelar pelo bom comportamento dos filhos no ambiente coletivo. O Estado, nesses casos, se coloca com a responsabilidade sobre os menores, mostrando mais uma vez a ânsia de entrar nas vidas alheias demonstrada por essa corrente. Sugere casas de passagem, clínicas de reabilitação e presídios especiais para menores, e os pais de réus, que são os verdadeiros culpados, por negligenciarem a educação dos filhos que colocaram no mundo por sua própria vontade, são colocados pelo Estado como vítimas. O Estado, neste caso, mostra que não existe culpado quando um menor se torna violento, criminoso, marginal às leis. Eles são vítimas das famílias e as famílias são vítimas do Estado negligente, colocando a mazela em uma situação de relativismo absoluto e de trabalho infinito.

A confusão maior a que os defensores do crescimento do Estado submetem seus pares da sociedade é a do verdadeiro conceito de democracia. Democracia no Brasil está sendo tratada como dar 'direitos' maiores do que 'deveres' à população mais pobre, mais necessitada e menos aculturada. Mas direitos financeiros, através de pacotes de bondades. E, em troca, o Estado se acha no direito de entrar nas casas de seu povo. O cidadão é tratado como um empregado quase que escravo. Serviços são oferecidos goela abaixo, mas em troca o cidadão deve se comportar como o papai Estado exige... Isto é democracia, ou ditadura disfarçada?

Antes de entrar nas casas para influenciar, por lei, a educação dos brasileiros, o poder público deveria colocar na frente de suas prioridades as necessárias ações nas verdadeiras causas das mazelas causadas pela violência doméstica, em que as 'palmadinhas' são apenas uma das formas existentes. Antes de o Estado tratar da educação dos pais nas quatro paredes do lar, deveria proporcionar educação, saúde, segurança e vagas de emprego formal para a população. Antes de criar mais um ministério para trabalhar na intimidade dos lares, como sugerem as crescentes 'entranças' do poder central nas casas dos brasileiros, o Estado deveria tratar de racionalizar a despesa dos ministérios atuais e fazer sobrar dinheiro para as inúmeras demandas coletivas que a população necessita.

Qualquer família mais bem educada abomina bater nos filhos como método de educação. Quanto aos que batem sistematicamente e de forma violenta nos filhos, já existem inúmeras leis para penalizá-los, basta cumpri-las.

Fim

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Redação dissertativa 126: Tema: menores delinquentes.Tópicos: redação dissertativa pronta, lei das palmadinhas, atrocidades cometidas por menores, demagogia eleitoral, ditadura disfarçada, democracia no Brasil.