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Redação Dissertativa


COMO SABER EM QUEM CONFIAR

Fonte: Zero Hora


Está muito difícil ser leitor, nesta era digital em que a tradicional hierarquia dos noticiários foi subvertida e as notícias são colocadas ao lado de informações suspeitas que se parecem em muito com... notícias. A dúvida tem instigado a pauta de associações de Jornalismo do mundo e, esta semana, chamou a atenção o texto de dois jornalistas americanos, em artigo distribuído pela Associação Nacional de Jornais depois de publicado em O Estado de S.Paulo.

'Como saber em quem confiar?', perguntam Brent Cunningham, ex-repórter da Life e hoje editor da Columbia Journalism Review, e Alan C. Miller, dono de um cobiçado Prêmio Pulitzer, ex-repórter do Los Angeles Times e hoje diretor de um projeto de Alfabetização Jornalística. 'Como distinguir da propaganda, da desinformação e da informação crua a informação digna de credibilidade?', questionam.

Aqui em Zero Hora temos convivido sem receios com o jornalismo participativo. Leitores, que já colaboravam com o jornal impresso, ganharam ainda mais espaços com o site de ZH, a seção leitor-repórter é um exemplo. Ampliamos nossa participação nas redes sociais, disseminando conteúdos no microblog twitter, no facebook, e em muitas coberturas o público tem papel fundamental. Contudo, o jornal não pretende abrir mão de ser mediador da informação.

Um dos maiores dispêndios de energia na Redação, todos os dias, é discernir o que é confiável em um emaranhado de dados dispersos em um amplo espectro de fontes. Até o final do século passado, isso era mais fácil: a confiança era depositada em seu quadro de jornalistas e nas tradicionais agências de notícias nacionais ou internacionais, que não chegavam a uma dezena.

Não é mais assim. Como sugerem Cunningham e Miller, 'a cultura de notícias e informação nunca foi tão rica e democrática, pois qualquer pessoa que disponha de uma conexão à internet pode contribuir nessa realidade midiática', o que é excelente. Por outro lado, abre precedente para distorções.

Dias atrás, uma instituição privada, contrariada com as respostas de um funcionário publicadas por ZH, usou as mesmas perguntas do jornal e as refez ao colaborador, desta vez monitorado pela chefia: as respostas, em tom oficialista, foram postadas no site da organização horas depois da edição do jornal. É prática crescente o confronto de versões para gerar dúvidas ou descompor uma informação.

É óbvio que a verdade não está concentrada nas mãos da imprensa tradicional, que também erra, e muito. Não é à toa que se dedica boa parte do tempo da Redação a fazer a autópsia de equívocos e avaliar fórmulas para prevenir sinistros. Mas só estão preocupadas com a anatomia dos erros as marcas que têm consciência de que as informações não são produzidas de forma igual. Acredito que o maior benefício dessa revolução pela qual estamos passando é o reforço de práticas essenciais do jornalismo: a busca pela apuração precisa, a procura do equilíbrio possível, a isonomia às fontes.

Se você percebeu, como Cunningham e Miller, a fluidez das fronteiras entre notícia e entretenimento, opinião e fato, profissional e amador, procure marcas interessadas em ajudá-lo a separar o fato da versão. Veículos interessados em tornar menos difícil a tarefa de ser leitor.

Fim

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Redação dissertativa 169: Tema: informação da web.Tópicos: redação dissertativa pronta, jornalismo, era digital, jornalistas, Jornais, alfabetização jornalística, informação digna de credibilidade.