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Redação Dissertativa


DESAFIO À JUSTIÇA

Fonte: Zero Hora


No mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impôs uma multa de R$ 5 mil e determinou a cassação do horário eleitoral do Partido dos Trabalhadores previsto para o primeiro semestre de 2011, a ex-ministra Dilma Rousseff foi o destaque no programa eleitoral de 10 minutos que, pela lei, deveria servir de divulgação de temas relacionados ao partido, não a candidaturas. Ainda que a finalidade desses espaços em rádio e televisão venha sendo desvirtuada pelas agremiações de maneira geral, o que chamou a atenção na programação de quinta-feira foi o fato de o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ter desafiado de forma ostensiva e proposital a legislação eleitoral, que veta propaganda antes das convenções partidárias. Ainda que a legislação possa ser considerada restritiva demais, nada justifica a burla e o desrespeito às normas estabelecidas.

Chama a atenção, no caso, o baixo valor das multas aplicadas pela Justiça Eleitoral e a suspensão, como pena, de um programa previsto para ir ao ar só em 2011, quando não haverá campanha eleitoral. A decisão em relação à representação proposta pelo PSDB e pelo DEM foi unânime, e o ministro Marco Aurélio Mello chegou a declarar que jamais havia deparado com 'algo tão escancarado'. A demora das decisões judiciais e as penas excessivamente modestas acabam estimulando o uso desses espaços para a exaltação de candidatos por parte de correligionários. Foi o que ocorreu na última quinta-feira à noite, quando o presidente da República não deixou dúvida sobre o fato de a ex-ministra ser a sua candidata à sucessão. O principal mandatário da nação ignorou também o fato de estar se antecipando ao calendário oficial, transformando-se em cabo eleitoral ao exaltar as virtudes da pré-candidata. Chegou até mesmo a compará-la ao líder sul-africano Nelson Mandela, pelo fato de ambos terem sido presos por razões políticas.

Esse tipo de prática tornou-se mais visível pela excessiva atuação do presidente da República, mas está disseminado por diferentes partidos. Mesmo as agremiações que agora reclamam da desobediência às normas eleitorais anunciam a decisão de agir de forma semelhante. Integrantes das principais legendas oposicionistas antecipam até mesmo a intenção de adotar uma tática conjunta de comunicação para aproveitar um total de 30 minutos a que têm direito.

Os próprios políticos deveriam se preocupar em zelar mais pelo cumprimento da lei, até mesmo para transmitir bons exemplos aos eleitores. Se a lei eleitoral é falha ou se está desatualizada, a saída é mudá-la, e não simplesmente ignorá-la. Como, de maneira geral, os candidatos não parecem preocupados com isso, a lentidão do Tribunal Eleitoral e as punições leves estão servindo de estímulo ao desrespeito. O procedimento hipócrita das agremiações políticas, levando ao ar propagandas evidentes de candidatos, só contribui para um descrédito ainda maior em relação a quem disputa o voto dos eleitores.

Se a lei eleitoral é falha ou se está desatualizada, a saída é mudá-la, e não simplesmente ignorá-la.

Fim

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Redação dissertativa 172: Tema: sistema eleitoral.Tópicos: redação dissertativa pronta, propaganda eleitoral, programa eleitoral, campanha eleitoral, horário eleitoral.