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Redação Dissertativa


REVISÃO DO CBT: MEXIDAS E CONSERTOS?

Fonte: Gazeta do Povo, Alan Cannell


O trânsito tem uma imensa capacidade de irritar praticamente toda a população, no trânsito parado até os mais privilegiados em seus carros de luxo ou oficiais são rebaixos à condição de meros mortais ao lado dos coletivos. Nessas horas todo mundo sente uma vontade louca de mexer no trânsito. Quem pode age: prefeitos mandam inverter ruas, comunidades fecham rodovias com pneus e a classe política mexe no Código Brasileiro de Trânsito.

Algumas das últimas mudanças propostas e que circulam na mídia tratam de grandes irritações: ultrapassagem pelo acostamento (quem, na estrada, não fica furioso quando passa um bando de gaiatos); gente distraída no celular fazendo manobras bruscas; meninos mimados fazendo rachas e forçando ultrapassagens; motoqueiros abrindo passagem no seu 'corredor' a base de chutes nos espelhos retrovisores e ao som de uma buzina estridente. Nada contra, mas fica a indagação de sempre: trata-se do essencial? E como fazer a fiscalização?

Também não vejo como essas mexidas no código vão melhorar os problemas principais do trânsito: os acidentes, os congestionamentos, a poluição e o custo do transporte público. Por exemplo, um estudo do Ipea/Denatran indicou que quase metade dos veículos com mais de cinco anos tem defeitos nos freios, faróis, pneus e direção, e os veículos com mais de 15 anos (cerca de 25% da frota) causam 40% dos acidentes. O óbvio, alguém que levar às ruas meia tonelada de sucata, sem as mínimas condições técnicas, é um acidente ou congestionamento ambulante. A Inspeção Técnica Veicular (ITV) é prevista no CTB. É Lei Federal desde o século passado. Mas, tirando alguns grupos que enxergaram uma maneira de ganhar uma grana, ninguém quis, ou ainda quer consertar a regulamentação e fazer valer a lei. No imaginário administrativo popular a ITV vai ser um imposto a mais, uma burocracia a mais e, pior, vai tirar uma sucata velha e querida das mãos de um eleitor. Então o essencial tende a ser postergado, embora com o uso da tecnologia moderna seja perfeitamente possível baixar a poluição nas grandes cidades, reduzir acidentes em 19% e minimizar o congestionamento devido às quebras. Como já se faz em todos os países com uma cultura de trânsito mais avançada.

A tecnologia é a grande arma para tornar o trânsito mais seguro. Como já disse o especialista Mar­­celo Araújo, dirigir falando no celular é um perigo, mas não tão perigoso quanto furar um sinal vermelho. A grande maioria dos acidentes em Curitiba acontece em cruzamentos semaforizados e acontecem justamente porque alguém desrespeitou um sinal vermelho. Se, por azar, o leitor se envolver num acidente com um motoboy, é capaz de se ver cercado por meia dúzia dos colegas do acidentado que juram que foi você, caro leitor, quem furou o sinal. Nesse caso, sua única defesa pode ser a fiscalização eletrônica, que está lá para verificar quem furou o sinal ou, mesmo que o equipamento não detecte a massa metálica de uma moto leve, quem não furou: por exemplo, seu carro. Mas há um plano nacional de incentivos para fortalecer o uso da fiscalização eletrônica? Não, no tal do imaginário administrativo popular trata-se de uma 'indústria de multas' e não uma técnica comprovada de reduzir o número e severidade dos acidentes e fornecer provas técnicas em casos de crime.

Vale só uma advertência no uso desse tipo de fiscalização: os sinais, pelo menos, devem ser bem programados, com tempos ajustados aos fluxos reais e sincronizados para minimizar as paradas e emissões. Para exigir respeito tem de respeitar a inteligência do usuário. Quando os semáforos são colocados numa 'onda vermelha' (e têm muitas na cidade) o imaginário popular vai pular rapidamente para as teorias de conspiração, cujo negócio é faturar sobre a irritação dos motoristas.

Por exemplo, reparei que um equipamento de fiscalização está sendo instalado no último sinal (de pedestres) da Avenida das Torres, onde a fase para pedestres é solicitada por botão. Porém, (até recentemente) como esse tempo não está sincronizado, o sinal pode fechar na cara do pelotão de veículos indo ou vindo na avenida. E isso parece ser mais comum quando estamos atrasados para chegar ao aeroporto.

Fim

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Redação dissertativa 173: Tema: congestionamento no trânsito.Tópicos: redação dissertativa pronta, trânsito, problemas principais do trânsito, congestionamentos, poluição, custo do transporte público, trânsito mais seguro.