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Redação Dissertativa


AS OUTRAS BOMBAS

Fonte: Zero Hora


O mundo lembra nesta segunda-feira o 65o aniversário do segundo ataque nuclear da história, a bomba atômica que destruiu a cidade portuária de Nagasaki, no Japão, e matou 70 mil pessoas. Três dias antes, outro artefato de potência semelhante havia arrasado a cidade de Hiroshima, causando igual número de vítimas instantaneamente e o dobro como consequência dos efeitos radioativos da explosão. O morticínio nuclear apressou a rendição do Japão e o fim da II Guerra Mundial, que até hoje continua com o inglório título de conflito mais sangrento da história humana. Apesar da brutalidade dos ataques e do horror universal causado por seus efeitos, a corrida nuclear continuou, exacerbou-se durante a Guerra Fria e sobreviveu a ela. Hoje, cerca de uma dezena de países dispõe de tecnologia para dizimar populações inteiras. O triste aniversário daqueles dois cogumelos sobre a paisagem japonesa não pode passar sem lembrança, como um alerta para a questão da disseminação de armas atômicas e de qualquer expansão do armamentismo.

A existência de conflitos bélicos que pon-tuam a história dos povos é uma das demonstrações mais eloquentes da frequência com que as virtudes humanas são vencidas pelas forças da irracionalidade. Nos 3 mil anos que vão de 1000 antes de Cristo até hoje, os historiadores registram que, em apenas cerca de 300, os povos, reinos ou nações não estiveram envolvidos em algum episódio armado. O século 20, com suas duas grandes guerras e com os conflitos político-militares em nações populosas, foi especialmente destrutivo, mostrando que o progresso da ciência e da cultura não é acompanhado necessariamente pela redução do uso da força para a solução de divergências. O século 21 herdou uma situação esdrúxula. Terminada a Guerra Fria, esperava-se que os arsenais atômicos começassem a ser desativados pelas potências nucleares, já que não havia no horizonte nenhuma grande ameaça à paz. Tal expectativa se frustrou, seja porque mais países tiveram acesso à tecnologia atômica e alguns deles conseguiram status de potência nuclear, seja porque novos conflitos regionais emergiram ou se aceleraram, como os das duas Coreias ou os do Oriente Médio, aguçando a busca dessas armas aterrorizadoras. Além disso, mesmo em regiões livres da corrida atômica, como a América do Sul, houve um recrudescimento da corrida armamentista. O mais grave é que muitas das nações que se armam são administradas por sistemas monocráticos e ditatoriais de governo, alguns movidos por ódios confessionais ou por extremismos ideológicos, com todos os perigos que isso implica.

A loucura das armas precisa ser contida pelos mecanismos multilaterais que a humanidade montou para enfrentar os riscos de guerra, em especial na Organização das Nações Unidas, e pelo amadurecimento das democracias que, pelo voto, levarão ao poder governantes sensatos e responsáveis.

Como se vê, os efeitos de Hiroshima e Nagasaki ainda permanecem, e exigem reflexão.

Fim

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Redação dissertativa 177: Tema: bomba nuclear.Tópicos: redação dissertativa pronta, ataque nuclear, bomba atômica, efeitos de Hiroshima e Nagasaki, morticínio nuclear, conflito mais sangrento da história humana.