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Redação Dissertativa


QUEM MANDA É O DINHEIRO

Fonte: Folha.com, Fernando Canzian


Os investidores nas Bolsas de Valores mundiais e na Bovespa mergulharam em uma nova onda de pessimismo após o reconhecimento por parte do Fed (o BC dos EUA) de que a maior economia do mundo está reagindo muito aquém do esperado.

A notícia veio acompanhada de novos sinais de desaquecimento na China (já considera a segunda maior economia do globo) e em vários países da Europa, especialmente no Reino Unido.

O Fed também se vê neste momento de mãos atadas e pouco pode fazer. O mercado está entendendo isso.

Os juros nos EUA já estão próximos de zero, o que deveria estimular empresas e bancos a emprestar dinheiro barato a consumidores. Isso reanimaria a economia. Não é o que acontece.

No auge da crise financeira global, entre o final e 2008 e início de 2009, era comum ouvir nos EUA a expressão "Cash is King". Algo equivalente a "Quem manda é o dinheiro".

Essa percepção parece estar voltando diante das notícias negativas.

Quem tem dinheiro em caixa não quer emprestar. Quem tem ações, procura vendê-las para ficar com dinheiro em caixa a espera de dias piores. E de oportunidades de compras a preços baixos mais à frente.

Apesar de estarem pagando rendimentos muito baixos, os títulos do governo norte-americano (considerados ainda os mais seguros do mundo) vão se tornando cada vez mais um refúgio para quem teme uma nova onda na crise global.

Seria a concretização da tal previsão pessimista da crise em forma de W (queda, recuperação e nova queda antes de uma recuperação definitiva).

Os EUA acabam de anunciar um novo pacote de socorro aos mutuários inadimplentes, que originaram a atual crise.

Mas muitos acreditam que uma onda muito pior esteja se formando no horizonte. É a inadimplência no setor de imóveis corporativos, que está subindo rapidamente (leia a coluna "Devagar, quase parando" sobre esse assunto).

A quatro meses das eleições legislativas em que poderá perder a maioria no Congresso, Barack Obama dificilmente conseguirá aprovar um novo pacote bilionário de socorro nos EUA.

Os resultados do plano de US$ 787 bilhões de janeiro de 2009 também não se fizeram sentir no mercado de trabalho. O desemprego segue firme em 9,5%.

Neste exato momento, os estímulos de 2009 estão chegando ao fim. Seu resultado é um endividamento recorde do governo norte-americano no pós Segunda Guerra.

Vale repetir o mantra dessa crise: ela é uma crise de endividamento (nos EUA e na Europa). Das famílias, dos bancos, das empresas e, agora, do Estado. Não há mais a quem pedir socorro.

Pode ser diferente, mas o Japão demorou mais de uma década para se livrar de algo semelhante.

Fim

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Redação dissertativa 188: Tema: dinheiro.Tópicos: redação dissertativa pronta, crise financeira global, inadimplência, mercado de trabalho, crise de endividamento.