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Redação Dissertativa


A TRAGÉDIA ANUNCIADA

Fonte: Jornal da Tarde, Luiza Eluf


No paraíso tropical brasileiro, sem terremotos, guerras, maremotos ou furacões, a grande tragédia é a chuva. Enquanto ainda contabilizamos os mortos das enchentes provocadas em São Paulo e, mais recentemente, no Rio de Janeiro, a imprensa busca culpados.

Afinal, quem tem mais responsabilidade pelos deslizamentos? O governo do Estado, o governo federal, as prefeituras ou os próprios moradores?

Alega-se que nunca choveu tanto e que era impossível prever uma tragédia dessas dimensões. O fato é que, ao ignorarmos todos os alertas da mãe natureza, estamos rumo a um projeto camicase.

Achar que o aquecimento global e a mudança climática são preocupações apenas de ecochatos significa escrever a crônica de uma tragédia anunciada.

Há tempos a natureza manda sinais que o homem ignora ao desenvolver cidades que poluem os rios, ao abandonar obras fundamentais de infraestrutura e ao desrespeitar a inclinação das encostas para construir favelas ou mansões - caso das pousadas e condomínios de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

As grandes metrópoles sofrem com pequena área permeável, falta de esgoto, coleta de lixo e habitação precária. Por isso, quando fui subprefeita da Lapa, em 2007 e 2008, fiz projeto de uniformização e acessibilidade nas calçadas das principais ruas do bairro e tornei obrigatória a criação de uma faixa verde. Uma estratégia simples e com resultados duradouros para conter as águas da chuva e facilitar o escoamento.

É obrigação do governo impedir a construção de moradias em áreas de risco, remover as famílias para locais seguros e construir conjuntos habitacionais.

No Rio de Janeiro, em razão da topografia da cidade, isso se torna mais urgente. Além disso, é preciso identificar a rota de escoamento da chuva e construir canais para passagem da água em direção ao mar e aos rios, bem como muros de contenção de enxurradas.

É papel das prefeituras impedir a impermeabilização desordenada do solo, limpar as tubulações e realizar obras preventivas das inundações.

Reportagem recente da IstoÉ Dinheiro (edição de 14/4/2010) mostra que obras de infraestrutura, dragagem e construção de galerias, no Rio de Janeiro, custariam menos que a reforma do Estádio do Maracanã, ou seja, R$ 400 milhões. Neste momento, não estaríamos contabilizando mortos na lama. Não existe um governo exclusivamente culpado pela tragédia, mas uma coisa é clara: não dá para culpar São Pedro.

Fim

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Redação dissertativa 218: Tema: inundação.Tópicos: chuva, enchentes, deslizamentos, alertas da mãe natureza, aquecimento global e a mudança climática.