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Redação Dissertativa


INVERSÃO DE PAPÉIS

Fonte: Diário Catarinense


A citação do trecho de uma conhecida música do compositor Cazuza pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi uma saída criativa para traduzir a inversão de papéis que costuma ocorrer entre quem é governo e quem é oposição no momento da votação de questões como o salário mínimo. Eu vejo o futuro repetir o passado, citou o parlamentar estreante no Senado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para. Assim como vem ocorrendo nos estados em relação ao piso regional, o que prevaleceu primeiro na Câmara e agora no Senado foi a conhecida inversão de papéis entre quem é da situação, e alega defender o valor possível, e da oposição, habituada, seja qual for, a lutar pelo máximo, na maioria das vezes ultrapassando o limite do bom senso.

Nos últimos anos, o histórico embate entre partidos governistas e oposicionistas sobre questões de apelo popular acabou contribuindo de alguma forma para uma recuperação gradual do poder de compra do salário mínimo. Em consequência, mesmo mantido por expressiva maioria no Congresso em R$ 545, como pretendia o Planalto, o valor ainda se mostra muito superior a uma meta perseguida até há pouco tempo, equivalente a US$ 100. Os trabalhadores têm suas razões para se mostrarem frustrados com o que irá a mais para o seu bolso. O governo, porém, sai fortalecido no discurso de que está mesmo comprometido com a austeridade e que, por isso, o mercado financeiro deveria acreditar em cortes nas despesas públicas de até R$ 50 bilhões.

Nem isso, porém, justifica a pretensão, avalizada por parlamentares da base de apoio do governo Dilma Rousseff, de descontinuar o debate anual sobre o tema, passando a fixar o reajuste por decreto presidencial até 2015. Também é incompatível com um país disposto a conferir mais seriedade à atividade política o fato de políticos de partidos da situação estarem empenhados em apurar quem foi mais fiel na votação das propostas do governo. A preocupação, no caso, é definir quem tem mais direito de se posicionar melhor na fila de cargos do segundo escalão, que se transformam, assim, em mera moeda de troca por voto.

Numa democracia, a definição do salário mínimo não tem como prescindir do debate político, mas os aspectos técnicos não podem ser desconsiderados. Quem ontem estava na oposição e hoje é governo tem o dever de se valer do máximo de clareza para demonstrar até onde o valor pode ir sem comprometer, por exemplo, contas como as da Previdência. Da mesma forma, também a oposição precisa se mostrar responsável nos momentos de inversão de papéis, para evitar que, como na música citada na tribuna do Senado, o futuro venha a repetir o passado. Os interesses em jogo, no caso, não são os dos políticos, com ganhos e reajustes muito superiores aos do salário mínimo, mas os dos trabalhadores, sobre os quais costumam recair as contas de excessos motivados pela intransigência.

Fim

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Redação dissertativa 288: Tema: fidelidade partidária.Tópicos: debate político, oposição e governo, interesses em jogo, moeda de troca por voto, vira-casaca.