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Redação Dissertativa


CRÉDITO, "CHINÁFRICA" E ELEIÇÃO

Fonte: Folha Online, Fernando Canzian


NORDESTE - Na beira da BR 324 entre Feira de Santana e Salvador, na Bahia, o vendedor de jaca e cocos Fabio Almeida pergunta que tipo de frutas eu e o fotógrafo João Wainer gostamos. "Banana e fruta do conde". Ele anota e diz estar fazendo uma "pesquisa" com clientes porque vai tomar um pequeno microcrédito para diversificar a barraca.

Afinal, Fabio está pagando um consórcio de uma moto da marca Shineray, importada da China pela Beijing Motors, em Feira de Santana. Precisa faturar mais.

A poucos quilômetros dali, também na margem da BR 116, a baiana Tatiana Coutinho está pagando R$ 156 mil por uma casa financiada de 46m2 (o equivalente a R$ 3.300 o m2). Além disso, pensa em financiar (para investir) a compra de um imóvel comercial em Salvador.

O Nordeste liderou nos últimos cinco anos a alta do crédito no Brasil. Na região, o salto foi de 330%, ante 243% no Sudeste.

É raro um país crescer rapidamente sem que o crédito financie a expansão.

O maior ciclo de crescimento econômico global dos últimos 30 anos (interrompido com a crise mundial de 2008) teve o crédito às famílias como combustível. Mas foi também o seu veneno, pois agora chegou a hora de pagar a conta da farra de financiamentos. É essa a origem da crise nos EUA e na Europa.

No Brasil, o perigo é que o aumento do crédito ao consumo cresce três vezes mais rápido hoje do que o destinado aos investimentos das empresas (18% contra 6% em 12 meses).

A conta só fecha sem muita inflação porque o país está importando 50% mais produtos neste ano, suprindo o que as empresas locais não conseguem produzir.

Em abril, o total do crédito a pessoas e empresas no Brasil atingiu R$ 1,46 trilhão. Isso equivale a 45% do PIB. Nos países avançados, o crédito supera facilmente 100% do PIB.

É bom que o crédito cresça. Mas isso deveria se dar de forma sustentável (sem comprometer o orçamento das famílias) e mais barata (o juro para financiamentos no Brasil ainda ultrapassa 40% ao ano).

Deveria haver também financiamentos mais em conta ao setor produtivo, e muito mais obras de infraestrutura. Pois a maior quantidade de consumidores e consumo no mercado tende a jogar não apenas lenha na inflação, mas arrebentar a já limitada infraestrutura no país.

No Nordeste isso é gritante. A região se transformou em uma espécie de " Chináfrica". Une um crescimento "chinês" no consumo a uma infraestrutura quase "africana".

O resultado disso é um inchaço nos preços, principalmente no mercado imobiliário. Nele, investidores internacionais compram hoje grandes áreas em praias contaminadas por coliformes fecais e sem saneamento básico.

As rodovias sofrem com volumes cada vez maiores de cargas que não podem ser transportadas via portos congestionados. E grandes obras estatais estão paradas há anos.

Conciliar o "boom" do crédito no Brasil com um aumento correspondente na produção e da infraestrutura será um dos maiores desafios do novo presidente.

Fim

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Redação dissertativa 30: Tema: crédito ao consumo.Tópicos: redação dissertativa pronta, pequenos negócios, pequenos investimentos, começando um negócio, microcrédito, aumento do crédito ao consumo.