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Redação Dissertativa


SILÊNCIO QUE PREOCUPA

Fonte: Gazeta do Povo


Diante da enxurrada de denúncias que recaem sobre a Assembleia Legislativa do Paraná, muitos políticos paranaenses têm adotado a velha tática de, simplesmente, “jogar para a torcida”. Subestimam a inteligência do povo paranaense e, em alto e bom tom, apenas repetem frases como: “precisamos promover uma transformação política”, “precisamos investigar profundamente”, “os culpados devem ser rigorosamente punidos” e assim por diante.

Ocorre que, quando instados a responderem se são favoráveis ou não, por exemplo, ao afastamento dos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, a coragem e a firmeza desaparecem. Com um tom de voz bem mais baixo, até mesmo para, se possível, nem mesmo serem ouvidos, dizem: “prefiro não me manifestar”, “devemos aguardar as investigações”, “confio na Justiça”, “aguardo a posição do partido”, entre outras manifestações que apenas revelam a conivência com todas as barbaridades praticadas na Casa Legislativa estadual.

Fora do cenário político, merecem destaque as contundentes manifestações da Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe), presidida pelo juiz Anderson Furlan, e, principalmente, a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), comandada por José Lúcio Glomb, que, a partir da série de reportagens “Diá­­rios Secretos”, lançou destemida campanha contra a impunidade e a corrupção, campanha essa que ganha força a cada dia e que também já recebeu o apoio da OAB nacional, por meio de manifestação de seu presidente, Ophir Cavalcante. A campanha “O Paraná Que Quere­­mos” já conta com mais de 270 entidades, 420 empresas e quase 10 mil pessoas físicas.

No âmbito político, por sua vez, as manifestações mais firmes e corajosas partiram de poucos. Os deputados estaduais Tadeu Veneri (PT), Ney Leprevost (PP) e Neivo Beraldin (PDT) foram os únicos a defenderem o afastamento dos principais envolvidos dentro da Assembleia.

E o deputado federal Dr. Rosinha (PT) foi um dos poucos representantes paranaenses em Brasília a se manifestar também de forma mais enfática: “Todos aqueles de­­putados que têm compromisso com a verdade e com a transparência, e que não compactuam com a corrupção, de­­veriam renunciar voluntariamente a seus cargos e abandonar a Mesa da Assembleia”.

O PV, o PC do B, PSTU e o PPS pediram expressamente o afastamento do presidente da Assembleia, Nelson Justus, e do primeiro-secretário, Alexandre Curi. Mesmo assim, vale lembrar, o PPS ainda ocupa um dos cargos na mesa, qual seja, a 3.ª vice-presidência.

E sobre a composição, aliás, é importante lembrarmos que integram a Mesa da Assembleia o DEM (Nelson Justus), o PMDB (Antonio Anibelli e Alexandre Curi), o PDT (Augustinho Zucchi), o PPS (Felipe Lucas), o PSDB (Valdir Rossoni), o PT (Elton Welter), o PP (Cida Borghetti) e o PRB (Edson Praczyk).

O que dizem os referidos partidos sobre os escândalos? Mais do que isso, o que fazem os presidentes e os membros de tais partidos? Os presidentes dos diretórios estaduais do PT (Enio Verri), do DEM (Abelardo Lupion), do PPS (Rubens Bueno), do PDT (Osmar Dias), do PP (Ri­­cardo Barros) e do PMDB (Waldyr Pugliesi), todos concordam com a permanência dos deputados dos seus partidos à frente da direção da Casa? Os presidentes dos diretórios estaduais do PSDB (Valdir Rossoni) e do PRB (Edson Praczyc), que, além de presidirem os diretórios estaduais, também integram a Mesa Diretora da Assembleia, refletem, com essa conduta, a posição e a opinião dos seus cor­­respondentes partidos?

E ainda sobre a permanência da atual direção da Assembleia, o que dizem, ou melhor, o que fazem outras lideranças políticas paranaenses tais como Beto Richa (PSDB), Orlando Pessuti (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT)?

Não há dúvida de que precisamos separar o joio do trigo. Mas se nem tudo é joio, é preciso, então, que o trigo apareça e se manifeste com clareza, firmeza e objetividade. Diante do maior escândalo da história política do Paraná, o que não podemos admitir são os convenientes silêncios e os súbitos desaparecimentos. Neste momento de profunda crise do Legislativo paranaense, não há co­­mo admitirmos, mais uma vez, posições dúbias ou meias palavras.

Mas e se os nossos deputados estaduais, deputados federais e senadores permanecerem silentes? Bom, nesse caso, o silêncio será eloquente e muito dirá sobre o caráter de tais pessoas e sobre o compromisso delas com a nossa terra e com a nossa gente.

Em meio a tudo isso, a Assembleia Legislativa do Esta­­do do Paraná ainda acredita ser “A Casa dos Paranaenses”. Discordamos. As casas da imensa maioria dos paranaenses são muito diferentes daquela Casa de leis. São casas de pessoas trabalhadoras, honestas, dignas e respeitadoras da lei. São casas organizadas. São casas de pessoas que ensinam e praticam os valores fundamentais típicos de pessoas de bem. São casas de pessoas que ensinam os seus filhos a respeitarem o próximo e a não tomarem para si aquilo que não lhes pertence. São casas de pessoas que entendem o real significado da vida em sociedade, da moralidade, da legalidade, da coisa pública e do bem comum.

Fim

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Redação dissertativa 58: Tema: corrupção.Tópicos: redação dissertativa pronta, corrupção, corrupção política no Brasil, Assembleia Legislativa do Paraná, redutos de perfídia, políticos, o cancro da sociedade.