INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO URBANA


O Direito à Cidade é fundado em princípios que assegurem a democracia e a melhoria da qualidade de vida da população. Trata-se de uma demanda relativamente nova, mas que tem trazido enormes discussões sobre as alterações (negativas ou positivas) nos espaços urbanos, que implicam em inúmeros problemas estruturais, decorrentes da expansão e dispersão espacial das cidades. Nessa perspectiva, uma das pautas emergentes decorrentes dessa expansão urbana desenfreada é o tempo médio gasto para os deslocamentos nos grandes centros.

Procura-se aqui enfocar a perspectiva relacionada à questão da mobilidade urbana como um elemento fundamental para a realização do direito à cidade: qual é o papel da bicicleta (veículo não-motorizado) na implementação de uma cidade sustentável e com melhor qualidade de vida aos seus habitantes?

Com o aumento da frota nacional de veículos motorizados sem o planejamento mínimo necessário, como a ampliação da malha viária na mesma progressão ou outras alternativas de mobilidade, os centros urbanos estão em colapso (congestionamentos, trânsito intenso, altos níveis de poluição do ar, poluição sonora, disputa por estacionamentos, altos índices de acidentes que repercutem em problemas de saúde pública).

Estudo produzido pelo Ipea demonstrou que existem 15 carros para cada cem habitantes no Brasil e que o uso de transporte público caiu 30% em 10 anos. Apresentou também os seguintes dados que impressionam: i) para cada criança que nasce, cinco novos carros são licenciados em todo o país; ii) no atual modelo de mobilidade do Brasil, nos últimos 10 anos, para cada R$ 1 investido em transporte público, R$ 12 foram usados em incentivos para compras de carros e motos; iii) a frota de veículos automotores duplicou nos últimos 10 anos e a projeção é que ela dobre nos próximos cinco anos.

Com base nesse diagnóstico, percebe-se que a bicicleta tem um enorme potencial para melhorar a mobilidade urbana nos centros urbanos. Segundo pesquisas da ANTT, a bicicleta é responsável por 7,4% dos deslocamentos pendulares nas áreas urbanas, o que é muito pouco, se comparado com países europeus (Holanda 27% e Dinamarca 18%).

Enquanto isso, em Porto Alegre a Prefeitura Municipal tenta retirar um dispositivo previsto no Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI), que determina o repasse de 20% do valor total das multas de trânsito a campanhas educativas e à construção de ciclovias e ciclofaixas.

Percebe-se que valorizar a bicicleta como veículo não-motorizado é garantir a eficiência dos deslocamentos urbanos, assegurando uma cidade ambientalmente sustentável e com melhor qualidade de vida e bem estar à população. Criar políticas públicas que invistam no uso de bicicletas é garantir uma cidade para o futuro.

Fim


Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/?topo=13,1,1,,,13, Cristiano Lange dos Santos

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INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO URBANA - redação dissertativa pronta sobre: bicicleta no trânsito, uso de bicileta, qualidade de vida, espaços urbanos, expansão urbana, deslocamento urbano, transporte de bicicleta, ciclofaixas.

Qualquer texto, publicado nesta seção, visa a, tão-somente, servir de modelo de redação dissertativa para alunos, pessoas que se preparam a um vestibular ou concurso, ou mesmo para aquelas cujo objetivo é o seu deleite e aprendizagem da arte de redigir. Portanto, os temas não se evidenciam pela cronologia, mas sim como paradigmas de exposição de ideias e opiniões. Assim, uma redação dissertativa, que se refere a um assunto desatualizado, pode ser um excelente exemplo para se redigir sobre o respectivo tema mesmo em outra época.