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PROTESTOS, POLÍCIA E JOGOS POLÍTICOS


Um cenário político particularmente inquietante está se desenhando no País. No espaço de poucas semanas, tivemos manifestações dos Sem Teto, o braço urbano do MST, dos rolezinhos e outras. Algumas, já repetindo o figurino pré-estabelecido de violência, com destruição, incêndio e vandalismo dos mais diferentes tipos.

No caso dos rolezinhos, temos a especificidade de um movimento que, em sua irrupção anárquica, possui um perfil pró-capitalista, que se traduz por roupas de grife e uma demanda de usufruto de uma sociedade de consumo. Querem mais acesso aos produtos de uma sociedade de mercado, e não menos. Ocorre que essas manifestações surgiram praticamente instrumentalizadas pelos movimentos sociais organizados, tipo MST, CUT e UNE, além de partidos políticos de extrema esquerda, como PSOL e PSTU e de grupos mais à esquerda do próprio PT.

Temos, aqui, um aspecto curioso, pois não se trata de uma oposição tradicional ao governo petista, quando mais não seja pelo fato de o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos não saberem tirar proveito da situação.

A violência, assim, está se tornando usual, como se a sociedade brasileira tivesse de tolerá-la em nome de uma suposta "livre manifestação".

Ora, o uso da violência se situa nas antípodas de uma sociedade democrática, que não pode, de forma alguma, compactuar com esse tipo de manifestações, por minar as bases mesmas de um Estado livre. São suas instituições que estão em questão.

Neste contexto, ganha particular conotação o papel que deveria ser exercido pela Polícia na repressão das manifestações violentas ou preparatórias a elas. E digo "deveria ser exercido", pois nem sempre as polícias estão à altura de sua missão, com fraco serviço de inteligência e respostas desproporcionais aos atos cometidos por alguns indivíduos. Os indivíduos e grupos envolvidos na violência já deveriam há muito ser conhecidos, facilitando o trabalho de efetiva repressão e prisão.

Contudo, os problemas da atividade policial não podem ser apresentados como razão para a não repressão, propiciando a impunidade e, consequentemente, dando livre curso à violência.

Alguns responsáveis do governo federal –ou deveríamos dizer irresponsáveis? – saíram criticando a atuação policial como se essa fosse a responsável da eclosão da violência. Os mais afoitos chegam a dizer que a causa de manifestações dos rolezinhos e de movimentos sociais, reside na atividade policial. Há uma clara confusão entre causa e efeito.

Do ponto de vista político, ou mais bem, estratégico, o Brasil está vivendo o que poderíamos chamar de um momento de transição entre manifestações espontâneas e autônomas, como nas Jornadas de Junho e nos rolezinhos em suas primeiras expressões, e a sua instrumentalização por movimentos sociais organizados e por partidos situados mais à esquerda do espectro partidário.

Neste processo, a violência se torna cada vez mais protagonista, sendo assumida por grupos que têm a mesma orientação ideológica. Os shoppings, por sua vez, podem ser alvos do espírito anticapitalista existente nesses grupos. Há uma espécie de teste em curso, o de sua radicalização possível, precisando, com isso, contar com o apoio da opinião pública.

Do ponto de vista organizacional, esses manifestantes e, sobretudo, os seus mentores se dotarão de uma experiência logística, capital para o "sucesso" deste seu empreendimento de natureza política e ideológica. A resposta se encontra no Poder Público e em sua forma de atuação.

Fim


Fonte: http://www.dcomercio.com.br/2014/01/29/protestos-policia-e-jogos-politicos, Denis Lerrer Rosenfield, com modificações nossas para fins didáticos

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Redação dissertativa N/S-1077: Tema: manifestações.Tópicos: redação dissertativa pronta sobre rolezinho, cenário político, sem teto, redação dissertativa, MST, violência, manual de redação vestibular, ufrj vestibular, vandalismo, redação pronta sobre rolezinho, movimento social, sociedade de consumo, redação pronta sobre manifestação de protesto, sociedade de mercado, partidos políticos, CUT, UNE, redação pronta sobre violência, sociedade brasileira, sociedade democrática, redação pronta sobre estado livre, manifestações violentas, impunidade, redação pronta sobre atividade policial, opinião pública, poder público, redação pronta sobre orientação ideológica.

Qualquer texto, publicado nesta seção, visa a, tão-somente, servir de modelo de redação dissertativa para alunos, pessoas que se preparam a um vestibular ou concurso, ou mesmo para aquelas cujo objetivo é o seu deleite e aprendizagem da arte de redigir. Portanto, os temas não se evidenciam pela cronologia, mas sim como paradigmas de exposição de ideias e opiniões. Assim, uma redação dissertativa, que se refere a um assunto desatualizado, pode ser um excelente exemplo para se redigir sobre o respectivo tema mesmo em outra época.