Mundo Texto




ZUMBI DOS PALMARES: LOUVAÇÃO À LIBERDADE

Redação dissertativa pronta sobre: liberdade, Zumbi dos Palmares, escravidão, povo quilombola, afrodescendente, Quilombo dos Palmares, consciência negra.

É de Nelson Rodrigues, escritor pernambucano, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, a frase de que “a liberdade é mais importante que o pão”. Mas, poderia ter sido dita por Zumbi dos Palmares que, na metade do século 17, comandou uma revolta do povo quilombola contra a canga da escravidão.

As lutas lideradas por Zumbi se desenrolaram na Serra da Barriga, em terras da Usina Laginha, hoje território do município de União dos Palmares, em Alagoas. Em face do difícil acesso à área, Zumbi organizou uma comunidade de mais de 30 mil pessoas, resistindo a investidas militares de portugueses e holandeses ─ que dominaram esta parte do Nordeste de 1630 a 1654.

Zumbi nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655. Ainda na infância, durante uma das tentativas de destruição do Quilombo, Zumbi foi raptado por soldados portugueses, somente retornando a Palmares com a idade de 15 anos. Na oportunidade, adotou o nome de Zumbi (o verdadeiro era Francisco), e somente assim foi conhecido em 1673 como assinalam os “relatos da expedição portuguesa chefiada por Jácome Bezerra, que foi desbaratada pelos quilombolas”.

Um pouco da história da vida Zumbi dos Palmares revela que esse guerreiro da liberdade, destacou-se na luta contra os militares comandados pelo português Manuel Lopes. Nesses combates, chegou a sofrer graves ferimentos.

Em 1678, como registra o historiador Édison Carneiro, o então governador da província de Pernambuco, Pedro de Almeida, propôs a Zumbi anistia a todos os quilombolas, exigindo em troca a deposição das armas. A resposta de Zumbi foi fulminante: “Não vamos depor as armas, pois enquanto houver um afrodescendente cativo, nenhum é livre”. Foi esse sentimento de ─ ou liberdade para todos ou a luta ─ que definitivamente fez de Zumbi o líder do seu povo.

Falar de Zumbi é repetir Rui Barbosa: “Três âncoras deixou Deus ao homem: o amor à Pátria, o amor à liberdade e o amor à verdade”. Falar de Zumbi é falar do Quilombo dos Palmares, de sua “ânsia pela liberdade que não lhe permitiu render-se a privilégios”. Foi o amor à Pátria, à liberdade e à verdade que o levou à defesa do seu povo que sofria “sob o peso da opressão”.

Mas, foi essa mesma opressão, comandada, em 1692, pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, “uma espécie de mercenário da época”, que cercou o Quilombo dos Palmares que, depois de resistir bravamente, somente veio a capitular dois anos mais tarde. Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente e acabar as versões de que o líder dos quilombolas era imortal.

O Quilombo dos Palmares foi “um refúgio de liberdade” que se multiplicou Brasil afora, hoje relembrado nas comemorações deste “Dia Nacional da Consciência Negra”.


Créditos: http://www.tribunauniao.com.br - João Lyra, com modificações nossas para fins didáticos