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Teoria Kantiana associada à moralidade e à liberdade: Qual é o valor moral de sua ação?

Redação dissertativa pronta sobre: Kant, teoria kantiana, ato moral, valor moral, ação.

Não sou filósofa, mas gosto de surfar nesta praia quando o conhecimento jurídico não é capaz de explicar o que ocorre com a sociedade. Gostaria de contar para vocês um pouco de Immanuel Kant sobre o Estado Democrático de direito, destacando a complementariedade entre a moral, o direito e justiça como condição de estabelecer argumento legitimador do sistema democrático.

A teoria de Kant, no século XVIII, iniciou uma revolução na filosofia ocidental, até aquela época estavam vinculados aos paradigmas teológico e metafísico desde o Império Romano. A filosofia Kantiana mudou, rompeu a tradição, estabeleceu os princípios filosóficos da Modernidade, assim iniciou uma “época histórica na qual homem erigiria a razão como instrumento nuclear no conhecimento e no agir humano.” (BARRETO, 2013,p.42)

Para Kant, a época do Iluminismo configurou a libertação do homem do estado de tutela em que se encontrava submetido, caracterizado por não fazer uso público da razão. Nas palavras de Kant: “ouço de todos os lados o apelo: não raciocine! O oficial diz: não raciocine, execute! O fiscal de rendas diz: não raciocine, pague! O sacerdote diz: não raciocine e creia.” (BARRETO, 2013, p.42)

A significativa contribuição de Kant foi realizar uma revolução cartesiana e tornar a experiência e a teoria prerrogativas do sujeito um marco em sua teoria, afirma Douzinas

[...] o sujeito é a “coisa pensante”, que pensa em sua capacidade de pensar, e na sua relação de pensamento com o objeto de pensamento. De acordo com o princípio de precepção de Kant, as múltiplas sensações e representações que nos bombardeiam podem ser sintetizadas e fazem o mundo aparecer na medida em que elas pertencem a um sujeito. O “eu” pensante está por trás e organiza essas percepções, do contrário caóticas, e ao fazê-lo torna-se consciente de si mesmo. (2009, p.199)

Para a teoria kantiana, o ato moral depende do homem e que ele seja responsável por si e pelo outro. O mesmo deve ser agente de uma racionalidade, assim a moral não pode estar condicionada a sentimentos pessoais, de decisões arbitrárias, de valores socioculturais.

Sandel afirma que “de acordo com Kant, o valor moral de uma ação não consiste em suas consequências, mas na intenção com a qual a ação é realizada. O que importa é o motivo, que deve ser de uma determinada natureza. O que importa é fazer a coisa certa porque é a coisa certa, e não por algum outro motivo exterior a ela.” (2012, p. 143)

Outro exemplo que podemos destacar é que o cumprimento do dever confere valor moral a uma ação, assim num caso de um taxista que ao final do expediente descobre que um dos passageiros levado pelo seu táxi deixou a quantia de um milhão de dólares em dinheiro, no banco traseiro do seu automóvel. Imediatamente o taxista reflete: vou devolver porque esse dinheiro não é meu e, por esse motivo, devo devolvê-lo. O valor moral da ação é fazer o dever e a coisa certa.

Porém, se o taxista pensar em devolver somente pelo motivo de o passageiro, ao solicitar na central de táxi, deixa sempre o seu cadastrado, a placa e o nome de quem o levou até o destino, assim o taxista poderia ser reconhecido e o assunto chegaria ao conhecimento geral dos colegas, prejudicaria seu negócio, podendo ser até demitido. O taxista fez a coisa certa, porém pelo motivo errado. Seu único motivo para agir honestamente em relação ao seu cliente foi a proteção da própria reputação, portanto seu ato não tem valor moral.

Então Brasil, será que chegou a hora de fazer a coisa certa, porque somente isso tem valor! Pense nisso! Comece agora!


Fonte: http://www.diariodamanha.com - Thaise Grazziotin