Mundo Texto




GRÁVIDAS E GAYS

Redação dissertativa pronta sobre: gravidez, gay, homossexualidade, cérebro, sexualidade, orientação sexual, vida intrauterina, mulheres grávidas, bissexualidade, homossexualidade, opção sexual, teoria da cura gay.

Como devoradora de conteúdos, alguns bizarros confesso, encontrei outra novidade que pode abalar geral este domingo que ensaia pura preguiça. Dick Frans Swaab, holandês de Amsterdã, lançou um livro com título pra lá de interessante - Nós Somos os Nossos Cérebros -, mas com proposta editorial no mínimo instigante. Neurobiólogo, o autor sugere que o estresse na gravidez eleva as chances de uma criança nascer gay. Swaab se esforça para convencer o mundo que a “homossexualidade estaria ligada a uma mudança na composição hormonal e na formação do cérebro”.

Até aí nada a declarar. Mesmo porque cada um na sua casinha, e eu sou só jornalista. O que me chama atenção neste estudo é a tese do médico partir do pressuposto de que a sexualidade é determinada no útero e não pode ser alterada. Eu sempre imaginei a orientação sexual como uma escolha individual, talvez provocada por “n” situações que agora não vou nem citar. Mas nunca, nunquinha mesmo, achei que a escolha de gênero pudesse ser um produto da vida intrauterina.

O neurologista diz que mulheres grávidas com os nervos à flor da pele podem elevar os níveis do hormônio cortisol que afeta a produção de hormônios sexuais fetais. Para ilustrar melhor a tese, Swaab afirma que as chances de bissexualidade e homossexualidade em recém-nascidos aumentam também com a exposição à nicotina e à anfetamina durante a gravidez. O pesquisador não sossega e acredita que a incidência de bebês gays é maior quando a mãe já gerou outros filhos homens. “É uma resposta imunológica da mãe às substâncias masculinas, que se tornam mais fortes a cada gestação.

Pesquisando anatomia e fisiologia cerebral há longos 5 anos, o holandês é crítico ferrenho do que muitos chamam de livre-arbítrio. Na opinião dele, ninguém escolhe nada. O cérebro é pré-programado durante a gravidez, influenciando as decisões de uma pessoa pelo resto da vida, desde as emocionais até as profissionais e religiosas.

Eu cá comigo e com meus pensamentos fico refletindo se essa loucura toda não seja nitroglicerina pura nas já acaloradas discussões sobre homossexualidade. Se a opção sexual for mesmo fruto de arranjos e/ou desarranjos hormonais na gravidez, vem chão pela frente neste debate. Num país como o Brasil que já parou para discutir a absurda teoria da cura gay e, que por outro lado, possui 6,53 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, me parece que a neurobiologia teria bem mais o que fazer.

Em tempo - Desde a última sexta-feira (17) travestis e transexuais de Mato Grosso podem registrar em documentos de atendimento nas unidades da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) o nome social pelo qual são identificados e/ou conhecidos.


Créditos: http://www.gazetadigital.com.br, Margareth Botelho