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AMIZADES VIRTUAIS

Redação dissertativa pronta sobre: amizades virtuais, mundo virtual, redes sociais, conversas on-line, amizade, amigo, internet, inclusão digital, ciberespaço.

Antigamente pensava que a falta de tempo em função de uma rotina estressante trabalho, casa, companheiro e criação de filhos era a grande responsável pelo distanciamento entre as pessoas. Num determinado momento, com o avanço tecnológico, cheguei a imaginar que seria possível fazer o caminho de volta através do mundo virtual. Primeiro com os e-mails, depois as conversas via net ao vivo e em cores e, por fim, pelas redes sociais acompanhadas de moderníssimos aparelhos smartphones que colocam todos tão perto uns dos outros.

Literalmente quebrei a cara. Computador, celular ou qualquer tipo de engenhoca moderna não substitui a experiência de um relacionamento cara a cara com as pessoas. Sim, porque a aparência não engana e o olhar denuncia. Os gestos e as palavras expõem como um raio X os sentimentos humanos. A gente é que na maioria das vezes não enxerga o que de repente surge tão claro. Conversas on-line, assim como imagens postadas nos “faces”, por exemplo, não passam de edições bem caprichadas. Na vida midiática, a amizade me parece ser apenas um produto de interfaces.

Sinto uma tremenda nostalgia dos tempos adolescentes quando o legal era fazer pactos do tipo “amigas para sempre”. Hoje a gente curte, compartilha, e só. Será que isso basta às pessoas? Ser amigo de alguém não é ficar colado 24 horas na pessoa, mas da palavrinha mágica fidelidade não se pode abrir mão. Amigo é amigo. Filho da p... é filho da p...! Amizade se constrói ao longo do tempo por meio de conversas, da troca de opinião, experiências e concepções de vida. Não se admite ruídos na verdadeira amizade. E se por acaso aparecer algum, melhor esclarecer.

Fiquei pensando que talvez esteja confundindo sentimentos, misturando decepções. Reconheço que houve uma mudança substancial no conceito de amizade neste século 21. Talvez a competição que sustenta o mundo capitalista explique alguns porquês. Entretanto, explicar não é convencer. E eu não me sinto convencida de que temos direito de julgar as pessoas pela aparência e informações das infinitas emissoras de corredores, popularmente chamadas por Rádio Tamanco lá pelas bandas de Goiás, onde nasci e fui criada.

Ainda que hoje reticente às amizades construídas virtualmente, posso estar redondamente enganada e não ser as interfaces o motivo do distanciamento entre as pessoas. É possível estabelecermos relacionamentos autênticos usando teclados? A psicóloga da USP, Lívia Godinho Nery Gomes Azevedo, acredita que sim. No estudo “Implicações políticas das relações de amizades mediadas pela internet”, ela diz que as conversas virtuais podem construir amizades duradouras e que há autenticidade afetiva nelas. E vai além: as novas tecnologias favorecem o encontro entre as pessoas.

Fiquei encafifada com a lógica da pesquisadora. Ouso ponderar somente que o Brasil não é lá grandes coisas em inclusão digital. Mato Grosso, nem se fala. Então, se nossos indicadores mostram a enorme falta de acesso ao ciberespaço, podemos estar comprometidos enquanto cidadãos, totalmente por fora da realidade política, econômica e social do país. E, como seres humanos carentes de convívio e de afeto, estarmos condenados à solidão de uma tecla off-line? Acho que devemos começar a pensar nisso, cuidadosamente.


Créditos: http://www.gazetadigital.com.br, Margareth Botelho