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UBER, O APLICATIVO DA DISCÓRDIA

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Selvagem por natureza, o trânsito dos grandes centros urbanos do Brasil vive agora um novo tipo de disputa feroz por território: a batalha entre os taxistas e o Uber. Auxiliado por toda a comodidade que os aplicativos podem proporcionar, o serviço coloca passageiros em contato com motoristas particulares, que usam os próprios veículos de luxo, e cobram pelas corridas. Muitos poderiam não saber, mas começava aí uma nova guerra urbana, provocando cenas de barbárie e estabelecendo mais uma trincheira no trânsito já violento das grandes cidades.

Inúmeros foram os exemplos recentes da animosidade entre as duas categorias. Um deles envolveu a jornalista Luciana Machado, da TV Globo de Minas Gerais. No dia 8 de agosto, ela e o marido apanharam de taxistas quando tentavam embarcar em um carro do Uber, em Belo Horizonte. Poucos dias antes, caía na rede um vídeo que flagrou taxistas hostilizando um condutor do serviço e obrigando um casal a sair do carro e pegar um táxi, durante uma manifestação realizada no Aeroporto Internacional de Brasília. Em julho, um protesto no Rio de Janeiro reuniu cerca de 1.500 veículos, bloqueou ruas e deixou sem serviço de táxi centenas de cidadãos.

Essas reações não são exclusividade do Brasil e vêm se repetindo por onde o Uber chega. A bronca dos taxistas tem como base vários e válidos argumentos: a plataforma de carona paga não é fiscalizada e estaria “roubando” os clientes. Pela informalidade, não recolhe impostos. Os taxistas criticam o fato de motoristas do Uber não serem obrigados a passar pelo longo e caro processo de obtenção de alvará, nem terem de seguir as regras cobradas dos taxistas.

Em meio a tanta confusão, o prestígio do Uber segue inabalável. Em julho, o aplicativo chegou ao posto de app gratuito mais baixado na Apple Store do Brasil. Lançada há cinco anos em San Francisco, EUA, a empresa hoje está em mais de 300 cidades de 58 países, é avaliada em US$ 50 bilhões e conta com usuários fiéis. No Brasil, contemplam São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte. Os adeptos garantem que a qualidade do serviço é muito superior, e melhor, com preço que pode ficar bem mais em conta. Muitos dizem que é o equivalente a contratar um motorista particular, o que não seria ilegal.

A polêmica está só começando e a disputa pode render muitos desdobramentos. A verdade é que, roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão, e o mundo roda num instante, nas voltas da tecnologia. Lutar contra o que é moderno é uma luta perdida. Desde a Revolução Industrial, as engrenagens do sistema de produção estão em movimento frenético. Se recuperarmos na história, invenções como a energia elétrica, lâmpada, telefonia, veículos, causaram impactos igualmente revolucionários. Com as inovações da era digital, o ritmo é ainda mais avassalador, exigindo da indústria, do comercio, dos serviços, uma atualização constante e por vezes radical. O desafio de se adaptar à tecnologia é universal e coloca a todos diante do enigma da Esfinge: “Decifra-me ou devoro-te.”


Créditos: http://www.opopular.com.br, Marília Noleto